Após um ano de exílio, Evo Morales deixa a Argentina e retorna à Bolívia

O ex-presidente Evo Morales retornou nesta segunda-feira (09/11) à Bolívia após passar um ano exilado na Argentina por conta do golpe de Estado que levou à derrubada de seu governo.

A volta aconteceu em cerimônia realizada na zona fronteiriça entre a cidade argentina de La Quiaca e a boliviana de Villazón. Evo se despediu do presidente argentino Alberto Fernández, a quem agradeceu pela solidariedade e hospitalidade durante o período em que esteve no país. 

“Graças ao companheirismo do mundo, irmãs e irmãos, novamente se repete a história, a luta permanente pela vida, pela humanidade, pela paz e pela democracia. E, por isso, fui surpreendido com o companheirismo do povo argentino, e de Alberto Fernández. Muito obrigado irmão Alberto”, disse.

Morales afirmou que, durante o tempo em que esteve na Argentina, se sentia como se “estivesse em casa”, algo que, segundo ele, nunca irá esquecer. “Indo do México à Argentina, me senti como se estivesse em casa. Não me senti abandonado. Toda força social argentina, autoridades, ex-autoridades, irmãos bolivianos sempre estavam ali. Uma linda história, uma linda lembrança”, declarou.

Morales agradeceu também o presidente do México, Manuel López Obrador, pelo apoio ao boliviano quando precisou sair de seu país. O governo mexicano foi o primeiro a receber o ex-mandatário e seu vice, Álvaro García Linera , quando o golpe foi consumado na Bolívia. O ex-vice boliviano também estava exilado na Argentina e cruzou a fronteira nesta segunda.

“Muito obrigado presidentes e ex-presidentes que nos acompanharam. Especialmente a Alberto, que me salvou a vida, e isso eu nunca vou esquecer”, afirmou Morales.

O presidente argentino, por sua vez, disse que foi uma honra receber Evo e Álvaro García Linera durante o exílio e celebrou a vitória de Luis Arce e o retorno do MAS ao governo boliviano. 

“Do outro lado dessa ponte, há milhares de bolivianos que querem abraçar Evo e Álvaro, porque o povo não erra. Escolheram nas urnas a volta do projeto que Evo representa. Foi um honra ter vocês aqui durante esse tempo”, disse.

Fernández ainda afirmou que, nos últimos quatro anos, “a América Latina foi se desintegrando em individualidades” e que Evo representa o sentimento da Pátria Grande, “uma pátria que quer desenvolvimento e justiça não só para alguns, mas para todos”. “É muito lindo estar aqui para garantir que o companheiro e irmão Evo volte à sua pátria de onde nunca deveria ter saído e ter sido maltratado como foi”, afirmou.

Ainda segundo o presidente argentino, auxiliar os bolivianos que foram ameaçados pelo golpe de Estado de 2019 “é um dever de todos”.  “Estou muito feliz de poder ter estendido a mão a Evo, a Álvaro e aos companheiros da Bolívia”, disse.

Fonte: Opera Mundi

Imagem: Opera Mundi

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