Candidaturas LGBTI+ saltam 86%, mas esbarram em verba curta e preconceito

Pressionadas pelo crescimento de uma bancada conservadora que aposta no enfrentamento, lideranças identificadas com a pauta LGBTI+ estão buscando nas urnas um espaço de resposta. Nas eleições municipais de 2020, há um aumento expressivo no número de candidatos que militam nessa causa, mas o conservadorismo na política ainda é uma barreira que gera dificuldades, como a falta de acesso a verbas para fazer campanha. Além disso, a violência em suas várias formas é um risco que acompanha políticos vistos como, mais do que adversários, inimigos por uma parcela da sociedade.

Mal havia começado a campanha, na última segunda-feira (5/10), o candidato a vereador em Curitiba Lucas Siqueira (PSB) e auxiliares foram atacados com ovos durante caminhada em um bairro da cidade. O candidato registrou um Boletim de Ocorrência na polícia.

“Eu estava numa das principais ruas da cidade, fazendo nossa campanha, que tem a pauta LGBT, toda a comunicação é voltada para isso. Estávamos com uma caixa de som com o volume autorizado pela lei. Eu com o microfone, andando e falando. Jogaram ovos em nós de uma sacada de um prédio”, relata ele ao Metrópoles.

O político pediu imagens das câmeras do condomínio e disse que pretende insistir na investigação. “Eram ovos, mas poderiam ser objetos ou outras coisas. A agressão foi justamente quando eu falava dos dados de violência, que a cada duas horas um LGBT é agredido”, conta.

Apesar – ou talvez justamente por conta – de histórias como essa, o número de candidatos LGBTI+ aumentou bastante em relação às eleições municipais de 2016. Não há dados oficiais porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não questiona essa informação, mas a Aliança Nacional LGBTI+ promove uma campanha de incentivo e treinamento de políticos e apadrinha uma frente suprapartidária que tem até agora 400 candidatos. Há quatro anos, entidades calcularam em 215 os pleiteantes.

O aumento, portanto, chega a 86%, sem contar os candidatos que não estão no radar da presidente da Aliança Nacional LGBTI+.

Toni Reis, presidente da organização, acredita que o aumento nas candidaturas é uma resposta ao endurecimento do discurso conservador na política. “É uma reação da nossa comunidade. A gente precisa ocupar os espaços que são de direito. Todos têm direito: negros, mulheres, brancos, evangélicos, ateus. Não queremos tirar ninguém, apenas participar”.

O ativista, que não é candidato, defende que a democracia se fortalece com minorias atuantes, mas diz que os grupos que estão à margem sofrem para ter condições de fazer a campanha contra o poder econômico, mesmo com o financiamento público.

“O financiamento fica primeiro com os patriarcas e com quem já está eleito. Estamos no terceiro escalão, com as migalhas. Só que não nos contentamos com isso, queremos o pão inteiro”, afirma ele.

Para buscar ao menos um pedaço do pão, a aliança criou o Programa Voto com Orgulho, um site que reúne e divulga as candidaturas ligadas às bandeiras LGBTI+ e oferece formações aos políticos.

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Fonte: Metrópoles

Imagem: Parada Gay

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