AS CANDIDATURAS QUE ESTÃO NA PISTA EM PELOTAS: A LARGADA NA CORRIDA ELEITORAL ( por Daniel Lemos)

postado em: Cidade, Colunistas, Eleições | 0

No último dia 27 de setembro iniciou o período eleitoral nos municípios brasileiros, onde ocorrerá a disputa pelas vagas de prefeitos e vereadores. Em função de o processo eleitoral ser uma espécie de competição, é útil fazer um paralelo com as competições esportivas, para um melhor entendimento do fenômeno político. A Fórmula 1, modalidade automobilística muito popular no Brasil, é uma boa referência para a competição eleitoral.

Como é sabido, a Fórmula 1 tem como marca principal o desnível mecânico e tecnológico das equipes e, em 2020 estão na liderança do campeonato Mercedes e Red Bull. Equipes tradicionais como Ferrari, Renault, McLaren e Williams, outrora imbatíveis, hoje não estão em um bom momento e não têm as mínimas chances de tirar o troféu da virtual vencedora Mercedes.

Na competição eleitoral os partidos políticos são verdadeiras equipes. Mesmo que os eleitores não percebam, os partidos políticos mantém importância na disputa pelo voto. Alguns partidos, inclusive, possuem força política suficiente para melhor potencializar seus candidatos, como a Mercedes tem favorecido os pilotos Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, atuais líderes da Fórmula 1 2020.

A pré-campanha é o momento em que os partidos definem seus candidatos e articulam as coligações. Aqueles que escolhem os candidatos mais robustos politicamente e formalizam as maiores coligações tem uma vantagem inicial. Que, pode render inclusive, a melhor “pole position” (primeira posição) eleitoral, ou seja, a vantagem de largar na frente. Em política isso é igual a maior tempo de programa eleitoral gratuito, acesso a melhor soma de recursos financeiros para gastar na campanha e mais apoiadores (cabos eleitorais ou militantes).

No exemplo de Pelotas, como ficou o “grid de largada” da corrida que iniciou no último domingo (27/09)? A atual prefeita Paula Mascarenhas, apesar de fazer um governo muito contestado e criticado, está na primeira posição. Pois, é a incumbent, conceito da ciência política que indica o político que busca a reeleição, e isso é um fator de vantagem segundo a literatura da área, pois é alto o índice de sucesso na reeleição, no Brasil. 

Ainda, a candidata Paula Mascarenhas conseguiu construir a maior coligação partidária e, a que possui maior número de candidatos em busca das vagas de vereador(a). Ou seja, comparando à Fórmula 1, Paula tem a equipe mais forte para a corrida eleitoral. São 8 partidos – PSDB / DC / PSL / PTB / PL / SOLIDARIEDADE / PSD / REPUBLICANOS – que apresentam 140 candidatos, que potencializam a reeleição. Ainda conta com 10 vereadores experientes concorrendo à reeleição e tem o maior tempo de TV, na propaganda eleitoral, 3’41s. Além de operar a máquina administrativa da Prefeitura com todos seus cargos em comissão, funções gratificadas, empresários que prestam serviços para o governo, em seu benefício. Para arrematar, a candidata tucana conta com a mão amiga do governador Eduardo Leite para ajudá-la a defender o neoliberalismo radical, que caracteriza suas ideologias.

Nas posições seguintes estão: Fetter Junior do PP, na segunda colocação do “grid”. A coligação conta com 7 partidos políticos – PP / AVANTE / PTC / PV / CIDADANIA / PSC / PROS – com 74 nomes à disposição da escolha do eleitor na corrida por uma vaga na Câmara Municipal. Conta com 1 vereador concorrendo à reeleição e, 1’22s de tempo na TV. Esse bloco político também faz parte da administração Paula Mascarenhas, com vários cargos comissionados, portanto é um anexo da situação governista que disputa a liderança no campo bolsonarista e conservador na cidade. 

A terceira candidatura com maior musculatura é a do socialista Tony Sechi. Que, é apoiado por 2 partidos – PSB e PC do B – contudo, estes apresentam muito menos candidatos proporcionais, 36 concorrentes. Apresenta 1 vereador concorrendo à reeleição e tem 0,48 segundos de tempo de TV.

A quarta posição no “grid de largada” é ocupada pelo candidato do DEM, o suplente de Deputado Federal, Marco Marchand. Este vem com 32 candidatos proporcionais, dando suporte à candidatura majoritária, com 2 vereadores buscando reeleição: Ademar Ornel e José Sizenando. Na quinta fila, como se diz na Fórmula 1, está o candidato do PDT, Daniel Barbier, apoiado por 29 candidatos a uma vaga na Câmara Municipal de Pelotas e uma vereadora buscando reeleição. Possui escassos 0,34 segundos de tempo na TV. 

Outrora maior partido do campo da esquerda pelotense, e mesmo dos maiores da cidade, o PT concorre com o vereador Ivan Duarte, apoiado por uma chapa proporcional com 26 candidatos a vereança. Tem o terceiro maior tempo na propaganda eleitoral gratuita de TV: 1 minuto e 4 segundos. Julio Domingues representa o PSOL juntamente com 21 candidatos a vereador. Tem pouco tempo de TV, mas conta com o reforço da combativa vereadora Fernanda Miranda, que concorre à reeleição e, com Jurandir Silva – que concorreu a prefeito e deputado pelo partido em várias eleições. 

O Militar Marcus Napoleão, representando a aliança PRTB e Patriotas, pretende defender a causa da direita mais conservadora ligada ao campo do atual presidente da República. Embora tenha escasso tempo de TV e apenas 26 candidatos a vereador em sua base de apoiadores, o discurso ideológico de direita está em plena ascensão. O que potencializa esta candidatura.

Os demais candidatos ao Paço Municipal constituem a parte de trás do “grid de largada”. São de partidos políticos menores, com menos candidatos proporcionais, que não construíram coligações. Equivalem às equipes da Fórmula 1, que apesar da ambição de galgarem um lugar no podium, não fazem frente aos grandes competidores. 

Neste grupo estão, João Carlos Pires da Rosa do MDB, com 25 candidatos proporcionais, Marcelo Bertholdi Oxley do Podemos, com 18 candidatos ao legislativo e, por fim Eduardo Ligabue do PCO, que não apresentou nenhum candidato a uma vaga no parlamento.

Assim como a corrida da Fórmula 1, muitas vezes quem sai na frente não conquista o primeiro lugar na competição. Cabe aos candidatos que estão em desvantagem usar a criatividade, falar com o povo, apresentar as melhores propostas, para virar o jogo. Também vale jogar no erro do adversário, apostar nas deficiências das outras equipes. Afinal o jogo não está jogado.

Especialmente para o campo popular, que está dividido em 5 candidaturas (mais frágeis se comparadas às candidaturas da direita), a eleição deste ano deve ter como inspiração, os versos da canção interpretada pelo saudoso cantor comunista Leopoldo Rassier:

“não podemo se entregá pros home, 

de jeito nenhum, amigo e companheiro,

não ta morto quem luta e quem peleia

pois lutar é a marca do campeiro”

E cabe, a todos aqueles que desejam uma Pelotas diferente da que existe hoje, não se adaptar às circunstâncias. Fazer a história escolhendo representantes comprometidos com um futuro melhor, enfrentando o bolsonarismo, conquistando corações e mentes para uma Pelotas fraterna, humanista que valorize a vida, a pluralidade. Lutando para mudar opiniões e fazer uma primavera de valores socialistas, desabrochar. Afinal, enquanto há vida, há esperança.

Fonte: Daniel Lemos – Doutorando em História e mestre em Ciência Política


Deixe uma resposta