“A Lava Jato é um corpo fétido, um cadáver exposto,” afirma o jornalista Breno Altman em entrevista à RádioCom

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Esta semana, os jornalistas Régis Oliveira e Vera Lopes, conversaram no programa Contraponto Debate com o também jornalista e fundador do site Opera Mundi, Breno Altman. 

Entre os assuntos, debateram a atual situação da operação Lava Jato e todas as implicações decorrentes das ações dos membros do Ministério Público Federal (MPF), de juízes federais e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Operação Lava Jato

A operação Lava Jato, especialmente as atuações da força tarefa anticorrupção de Curitiba, sacudiu com a política brasileira e chamou a atenção do mundo. Entre as consequências da operação, com anos de atuação, está a prisão do ex-presidente Lula, talvez a de maior relevância. A sentença do ex-presidente Lula é dada pelo então juiz federal Sérgio Moro e rapidamente confirmada em segunda instância. Com esta confirmação, Lula ficou inelegível. Ele era o candidato que liderava naquele momento a corrida eleitoral para 2018. Assim, Bolsonaro teve o caminho aberto para vitória e o juiz do caso nomeado ministro da justiça.

Em junho de 2019, o site The Intercept Brasil, publicou junto a outros veículos de comunicação a Vaza Jato, uma série de documentos contendo: chats privados, com conversas, áudios, discussões internas e consultas políticas e jurídicas de duvidosa legalidade entre procuradores da força tarefa, coordenada pelo também procurador Deltan Dallagnol, em colaboração com o juiz Moro. 

Essas revelações foram um escândalo de figuras políticas, de personagens do sistema jurídico brasileiro e também de líderes internacionais. Revelaram os segredos dos bastidores da investigação, que mostrava os procuradores falando abertamente em impedir uma vitória eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) em conluio com o juiz Sérgio Moro, as conversas demostram como foi montada a acusação contra Lula.

Segundo o jornalista: “A Lava Jato é um corpo fétido, um cadáver exposto. Isso vai criando uma situação de constrangimento para corte suprema e esse constrangimento, mais cedo ou mais tarde, deveria obrigar a corte suprema a dar um paradeiro na Lava Jato e deveria anular as suas sentenças, em particular as sentenças evidentemente fraudulentas contra o ex-presidente Lula. São tão fraudulentas que o próprio relator da lava jato na corte suprema, que é o Ministro Edson Fachin, ele próprio diz que teria feito bem ao país a candidatura do Lula em 2018. Ou seja, é uma incongruência absurda, quando não uma hipocrisia, ele que tem sido um dos ministros que dá sustentação a Lava Jato na corte suprema. E, no entanto, ele reconhece que a candidatura de Lula era uma candidatura legal e legítima em 2018 e que foi interditada por conta de um sórdido jogo político judicial. ”

A defesa do ex-presidente Lula espera o julgamento do habeas corpus sobre a suspeição do então juiz Sergio Moro no comando da Operação Lava Jato. Recentemente a segunda turma do STF retirou a delação do ex-ministro Antônio Palocci dos autos de um dos processos contra Lula, no âmbito daquela operação, os ministros apontam a interferência política de Moro. Ficou evidente que Palloci mentiu para prejudicar Lula e beneficiar-se através da delação premiada. Foi um trecho desta delação que seria usada por Moro tornando-a pública seis dias antes da eleição presidencial de 2018. Menos de um mês após este ato, com Bolsonaro eleito,  Moro vira seu ministro da justiça. 

Importante destacar que o ministro Edson Fachin foi o único voto contrário a retirada da delação dos autos da ação penal.

Durante a série de reportagens da Vaza Jato, em um grupo de conversas dos procuradores no Telegram, após encontro de 45 minutos com o ministro do STF Deltan Dallagnol vibrou: “aha uhu o Fachin é nosso! ”

“O Momento que o STF tem de reparar essa situação, de enterrar esse cadáver insepulto, que é a Lava Jato, é o julgamento do habeas corpus que pede anulação das sentenças do ex-presidente Lula, o habeas corpus baseado na suspeição do ex-juiz Sérgio Moro. ”disse Altman.

Suspeição do ex-juiz Sergio Moro

Quem vai julgar este habeas corpus é novamente segunda turma do STF, composta por cinco ministros. O pedido de habeas corpus já tem dois votos contrários – dos ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia. Faltam votar Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Cabe a Gilmar, que pediu vista do processo em dezembro de 2018, retomar o julgamento.

Altman acredita o momento parece um pouco mais favorável. “ Ainda é uma situação instável, mas é o melhor momento desde a instalação da operação Lava Jato, a corte suprema já tomou algumas decisões que permitiram a reparação de injustiças. A reparação mais recente foi a que tornou inútil e anulou a delação de Palloci nos processos contra o ex-presidente, depois dessa decisão da corte suprema, a própria polícia federal revelou que em outra delação de Palloci o que tinha havida era pura fraude. Espero que a segunda turma venha decidir até outubro, que é quando se aposenta o ministro Celso de Mello. ”

Na última segunda-feira o ministro Celso de Mello concedeu duas liminares em favor de Deltan Dallagnol, o procurador denunciado no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por indisciplina, na tentativa por conta própria, de dar destino não previsto em lei, a recursos de uma multa paga pela Petrobrás, que seria devida nos EUA, para criar uma fundação de direito privado com mais de 1 bilhão de reais. Tal acordo fechado com autoridades americanas, extrapolando a competência de suas atribuições. O acordo ainda fora homologado pela juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, a mesma que condenou o ex-presidente Lula no caso conhecido como Sítio de Atibaia. Vale lembrar que na sentença da juíza ao menos 40 páginas foram copiadas da sentença de outro juiz, Sérgio Moro. Em um trecho ela se refere ao sítio como apartamento.

Deltan também é denunciado pela sua atuação nas redes sociais durante as eleições da mesa do Senado Federal.

“O poder judiciário é controlado por uma casta oligárquica que tem ódio a tudo que cheira à esquerda. E não é a primeira vez na história deste país, que setores importantes do poder judiciário se comprometem com golpes de estado. É da tradição do poder judiciário o golpismo, porque é no poder judiciário onde a influência do dinheiro mais conta. Este sistema dito meritocrático que a direita tanto elogia, não passa de um caminho de ascensão dos ricos para posições no aparelho de estado reservadas para os ricos. Especialmente no poder judiciário. Agora voltando a fio de meada, o Titanic do Lava Jato bateu no iceberg, ela está exposta nacional e internacionalmente como uma grande farsa, como uma grande conspiração antidemocrática, como um atropelo aos direitos constitucionais. ” 

Frente Ampla de Esquerda

O jornalista ainda fez uma análise com relação as eleições municipais que se aproximam. Com a falta de coesão de uma frente ampla de esquerda, o cenário não se apresenta muito favorável as candidaturas de oposição as políticas neoliberais, que aproveitaram todo o contexto desde o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff e as falhas de organização da esquerda e elegeram muitos representantes nas eleições passadas.

“Acho que é preciso separar esta análise entre deficiência e dificuldades, dificuldades independem dos nossos gestos, deficiência são os nossos erros. Há uma dificuldade importante que independe da nossa vontade. Essas eleições agora, serão as primeiras sem a possibilidade de uma coligação proporcional. Agora é possível ter aliança para cargos majoritários, no caso para prefeito, mas não possível ter mais chapa proporcional. Isto empurra cada partido a ter candidato a prefeito. ”

Ele acredita que a luta deficiente para a criação das federações partidárias, como a que existe no vizinho Uruguai, por exemplo, deixa a situação ainda mais difícil para construção de uma unidade.

 “Esse embate no campo popular paralisou a construção de alianças para as eleições municipais. Houve pouco empenho, empenho errado, houve sectarismo, houve lógicas de construção partidária sobrepostas aos interesses maiores de enfrentar pela esquerda o Bolsonarismo. ” 

Veja logo abaixo entrevista na integra, concedida pelo Jornalista Breno Altman ao Programa Contraponto Debate. Aproveite e faça sua inscrição em nosso canal no Youtube

Fonte: Felipe Vidinha é aluno da (UCPEL), integrante do Núcleo Popular de Jornalismo.

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