TAXAÇÃO DE LIVROS – velha prática obscurantista ( Por Alvaro Barcellos)

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Ao longo da história, há várias situações em que o autoritarismo e o obscurantismo político e cultural faziam literalmente uso da força bruta – e do fogo.Na Idade Média, mulheres que faziam tratamentos de saúde à base de ervas e infusões (e mais tarde a indústria farmacêutica o faria à base de tratamento químico) eram tachadas de bruxas e sobre elas recaía com muita força todo ódio, rancor e fúria de uma sociedade que se desenvolvia tendo o atraso como suporte.

A ponto de a própria Igreja à época ter admitido que gerar o medo era de grande importância para a sobrevivência dessa mesma Igreja enquanto instituição. Daí a figura de deus aparecia como figura austera, inquisidora, severa, dura, que pudesse gerar o medo – e justificar a igreja e sua existência e poder.

Na época, barrar o conhecimento, a cultura, a sabedoria e as artes era um modo de proteger o poder – exercido com violência, ódio, horror. E assim como as bruxas, também cientistas e artistas eram por vezes condenados à fogueira, como suas obras – quadros, estátuas, livros…
Há outros períodos e lugares em que a prática estúpida e cruel se disseminava também.

Quando os fascistas a partir da Itália e os nazistas a partir da Alemanha passaram a destilar seu ódio, sua ultra violência, seus preconceitos, truculência, intolerância e perversidade (agregados à ridícula ideia da supremacia racial) fizeram também eles, como parte de sua paranóia delirante, uso do fogo, recaindo sobre obras de arte – e de novo quadros, peças de artesãos e escultores, e livros ardiam nas chamas da ignorância oficial: cientistas, jornalistas, fotógrafos, cineastas, poetas, romancistas e músicos, entre outros, eram alvos da crueldade nazifascista.

Atualmente, figuras francamente patéticas e sem qualquer brilho ou dignidade, como um Paulo Guedes, por exemplo, vem a público atacar o conhecimento e as artes e a informação, defendendo a TAXAÇÃO dos livros. Para tal, o despreparado ministro, alega que o livro é produto de elite. Bastaria neste caso defender a redução de alíquotas e impostos com o fim de permitir que o produto possa chegar mais e mais às mãos do povo.

Mas não: os caras se alimentam da ignorância e da diminuição do acesso à informação e à cultura – tendo como aliados de peso 95 por cento dos pastores neo evangélicos que se afastam de Jesus e só servem como falsos profetas para difundir em deus de ódio e de morte.

Nós, todavia, propomos o mais franco acesso possível ao livro e propomos sim a TAXAÇÃO das GRANDES FORTUNAS, como forma de o Estado arrecadar muito mais, sem sacrificar o povo trabalhador. Mas isso, claro, esse (des) governo não quer. Definitivamente. Porque esse desgoverno sabe que é um subproduto do GRANDE CAPITAL e das GRANDES FORTUNAS, em cujas mãos imundas acostumam-se a comer.

Fonte: Álvaro Barcellos é Colunista da RádioCom

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