Governo libera cloroquina para casos leves, mas exige que paciente assuma riscos

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Foto: Maria Ana Krack/PMPA

O Ministério da Saúde atualizou nesta quarta-feira (20) os protocolos para o uso de cloroquina e da hidroxicloroquina apara o enfrentamento da covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. A partir de agora, passa a ser permitida a prescrição no Sistema Único de Saúde (SUS) dos medicamentos para pacientes com casos leves e não mais apenas em casos graves, como ocorria anteriormente.

A prescrição da cloroquina vem sendo há dois meses defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi um dos principais pontos de atritos com os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, que deixaram o cargo em meio à epidemia do coronavírus.

No documento, não assinado, que traz as orientações para o novo protocolo (ver abaixo), o governo pondera que “não existem evidências científicas robustas que possibilitem a indicação de terapia farmacológica específica para a covid-19” e que a prescrição é prerrogativa dos médicos, devendo respeitar a autonomia dos profissionais de saúde. Também ressalta que a auto prescrição pode resultar em prejuízos à saúde.

Além disso, o Ministério da Saúde divulgou um modelo de termo de consentimento que deverá ser assinado pelos pacientes que testaram positivo para covid-19 e receberem a prescrição do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em que destaca que “não há, até o momento, estudos demonstrando melhora clínica dos pacientes com COVID-19 quando tratados com hidroxicloroquina” e que estes medicamentos “podem causar efeitos colaterais como redução dos glóbulos brancos, disfunção do fígado, disfunção cardíaca e arritmias, e alterações visuais por danos na retina”.

“Compreendi, portanto, que não existe garantia de resultados positivos, e que o medicamento proposto pode inclusive agravar minha condição clínica, pois não há estudos demonstrando benefícios clínicos; Estou ciente de que o tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina pode causar os efeitos colaterais descritos acima, e outros menos graves ou menos frequentes, os quais podem levar à disfunção grave de órgãos, ao prolongamento da internação, à incapacidade temporária ou permanente, e até ao óbito”, diz o modelo de termo de consentimento proposto.

“Também fui informado (a) que independente do uso da cloroquina ou hidroxicloroquina, será mantido o tratamento padrão e comprovadamente benéfico que inclui medidas de suporte da respiração e oxigenação, ventilação mecânica, drogas para sustentar a pressão e fortalecer o coração, hemodiálise e antibióticos, entre outras terapias oferecidas a pacientes que estão criticamente doentes; Por livre iniciativa, aceito correr os riscos supramencionados e dou permissão/autorização voluntária para que o(s) medicamento(s) seja(m) utilizado(s) da forma como foi exposto no presente termo”, continua.

Fonte: Sul 21

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